Adolescentes se tornam empreendedoras e negócio vira renda principal da família durante pandemia

No início era mais uma forma de ocupar o tempo, uma diversão, mas a brincadeira virou um negócio e hoje é a única fonte de renda da família.

No século 21 temos visto cada vez mais jovens e até mesmo adolescentes empreendendo. Uma pesquisa feita pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) com 2.132 empresários de todas as idades apontou que a ideia de ter o próprio negócio já estava presente na cabeça deles desde cedo. Um em cada três pesquisados (32%) já sonhava com isso antes de completar 18 anos e 80% antes dos 24 anos.

Ana Clara e Thaís não imaginavam a que a “brincadeira” se tornaria a principal fonte de renda da família. Foto: arquivo pessoal

A realidade das adolescentes Ana Clara, de 15 anos, e sua irmã Thaís, 14, é um pouco diferente. Na verdade, elas não pensavam em empreender, porém de repente viram uma oportunidade e aproveitaram. E bem durante a pandemia.

“Começamos brincando, para ocupar o tempo, mas claro que tinha todas aquelas fantasias de que ia ser uma grande empresa que a gente ia empreender, mas a gente nunca imaginava que aconteceria, mas as coisas foram encaminhando para isso”, expôs Ana Clara.

As garotas são de Maricá, Rio de Janeiro e criaram a Dupla de Dois, mas a maioria dos clientes são de Niterói também no Rio. Elas produzem Kits de pintura para crianças colorirem e alugam estação de pintura para festas infantis.

A brincadeira virou negócio sério

Elas começaram o negócio meio que por brincadeira em junho de 2020 e nem imaginavam à proporção que tomaria. Ana Clara conta que a mãe, Dayanna Castanheira, é quem pretendia produzir o kit para vender e ganhar uma grana extra, no entanto não conseguia encontrar tempo para produzir o material.

“Então pedimos autorização a ela para fazermos e os primeiros kits foram vendidos para amigos e parentes. A gente tirou uma graninha, achávamos que sempre ia ser R$ 50,00, nunca pensamos que ia ser uma coisa tão séria”, lembrou Ana Clara.

Kit mais vendido das garotas.

Depois disso as garotas começaram a divulgar o trabalho em grupos de redes sociais e viralizou, não apenas na cidade delas, mas também em outros estados. E foi aí que foi deixando de virar brincadeira para se tornar um negócio. “Chegaram clientes de outros estados, então tivemos a ideia de expandir vendendo pra todo o Brasil no aplicativo shopee”.

No fim do ano as garotas inovaram mais uma vez, e investiram em uma estação de pintura para atender em festas infantis. Então para formalizar o contrato da estação criaram a empresa. “Nunca imaginamos ter uma empresa com CNPJ, estamos felizes demais com tudo que vem acontecendo”, expressou. Elas chegaram a vender mais de 500 kits em único mês.

Mãe orgulhosa

A mãe das garotas, Dayanna Castanheira, conta que comprou os materiais com a intenção de ganhar um dinheiro extra na pandemia, mas não conseguiu tempo para trabalhar.

Ela expressou seu orgulho pela iniciativa de Ana Clara e Thaís. “Eu digo muito para elas que só deu certo porque eram elas, eu imagino que se eu tivesse começado não teria dado tão certo, como deu e como tem crescido na mão delas”.

Negócio de família

Hoje o negócio se tornou a principal fonte de renda da família, já que a mãe foi dispensada do trabalho e o pai, também está desempregado. Ele é quem faz a entrega dos kits para os clientes de Niterói.

Até o momento, por estarem de férias escolares as meninas dizem que a rotina está bem leve. “ Por isso estamos focando só na Dupla de Dois, investindo em novas coisas  e não fazemos isso sozinha, tem a nossa mãe que toma conta dos atendimentos e nosso pai que toma conta das entregas”, contou Thaís.

Expandindo

Conforme Thaís a demanda tem crescido tanto que tiveram que contratar prestadores de serviços (4), que também são jovens, fornecem as peças de gesso prontas para elas montarem os kits e organizarem os envios. “Assim a única que fazemos agora é montar os kits”, afirmou Thaís.

Ana Clara vai cursar o 2º ano do ensino fundamental e Thaís o 9º. As garotas dizem que já se organizaram de forma que não prejudique as atividades escolares quando retomarem as aulas. “Temos um expediente de 4 horas para arrumar e organizar as coisas.”

O plano das garotas é de continuar expandindo o negócio. “Queremos que a Dupla de dois se torne conhecida e que possamos trabalhar com qualquer tipo de lembrancinha infantil”, concluiu Ana Clara.

As garotas são exemplos de que as vezes algo que parece simples pode se tornar um negócio. No próximo dia 7 participarão de um evento de empreendedorismo (F5) para o qual foram convidadas.

Conheça o trabalho de Ana Clara e Thaís clicando neste link. 

 

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