Ele morava na rua, comia comida do lixo e hoje é Chef de ricos e famosos

Hoje ele é um dos chefs mais famosos do Canadá, mas quem não o conhece de perto nem imagina a história de Sash Simpson.

Ele viveu parte de sua infância nas ruas de uma cidade do sul da Índia, para sobreviver comia as sobras de restaurantes que encontrava pelos lixos. Segundo Sash Simpson, suas memórias de infância são apenas algumas coleções de borrões: vivia em uma favela perto de um trilho de trens; um pai que se comunicava usando língua de sinais e trabalhava em uma fábrica de tabacos; dois irmãos mas velhos e longas noites entrando e saindo de trens.

Orfanato

Por volta dos 8 anos de idade (ainda hoje ele não sabe ao certo sua idade, imagina que tem 50 anos), funcionários de um orfanato  o notaram pedindo esmolas em uma estação de ônibus e o convenceram a ir com eles para o abrigo. Na ocasição, conforme relatou, vivia em um cinema, onde limpava chão em troca de um lugar para dormir. ” Tudo no tempo. Um segundo antes, um segundo depois e eles não teriam me visto. Eu acredito em milagres, isso aconteceu comigo”, diz Simpson ao The New York Times.

Só recentemente Sash teve acesso ao seu arquivo de adoção que relata que a mãe teria fugido com um homem e que seu irmão o havia deixado no ponto de ônibus. Mas ele diz não se lembrar disso. Sash foi para um orfanato fundado pela ONG canadense Families for Children, que apoia e educa crianças abandonadas.

Mudança para o Canadá

Sash foi adotado por Sandra – Foto: reprodução / NYT

Todas as vezes que a fundadora do grupo, Sandra Simpson, visitava o orfanato Sash puxava sua saia e repetia uma combinação de “mamãe” e ” Canadá”. E como ninguém queria um garoto daquela idade, Sandra, que hoje tem 83 anos, decidiu adotá-lo.

 

Ele chegou em Toronto no Canadá em 1979 e diz que a primeira lembrança que tem da sua nova família foi a  visão de uma caixa tremulante revelando uma mulher com botas vermelhas com um laço que o deixou maravilhado. “Eu nunca tinha visto televisão antes”, diz. Sentados ao redor de uma mesa de piquenique assistindo estavam “um milhão de crianças” – os novos irmãos e irmãs de Sash.

Quando o pedido formal de adoção de Sash Simpson foi preenchido em 1984, a família tinha 26 filhos, 20 deles adotados, quatro biológicos e outros dois criados em casa. Eles vieram de países devastados por guerras civis, desastres naturais ou pobreza.

A família Simpson, uma vez apareceu em um anúncio de Televisão como “a maior família do Canadá”. Foto: Arquivo da família Simpso.

Eles moravam em uma mansão de 22 quartos em Forest Hill, um dos bairros mais ricos de Toronto, emprestado por um banqueiro de investimento e filantropo. Sash conseguiu seu primeiro emprego como entregador de jornais aos 12 anos, para que pudesse comprar suas próprias roupas, separadas da pilha comunitária da família.

Aos 14, ele começou a trabalhar como lavador de pratos no restaurante onde sua irmã mais velha, Melanie, trabalhava como garçonete. “Eu tinha essa mentalidade: ‘Nunca mais serei o que era quando fui adotado’”, disse ele.

O início na cozinha profissional

Antes de concluir o ensino médio ele abandou a escola para trabalhar em tempo integral na cozinha de restaurantes familiares. Em 1993, viu anúncio de uma vaga em um restaurante sofisticado da cidade. Ele recebeu um grande não por três vezes, pois além de não possuir treinamento formal, estava “mergulhado em sua fase Michael Jackson”, não apenas se vestia como ele, como possuia cabelos até os ombros e usava luva em uma mão só.

Simpson com uma de suas irmãs, Kesooni, quando adolescente, em uma foto de família. Ele e seus irmãos se revezavam na preparação das refeições da família.

Mas usou a mesma técnica que garantiu sua adoção, voltando mais duas vezes até que o chef concordasse em deixá-lo trabalhar por três meses sem remuneração para que pudesse aprender.

“Eu vi ingredientes que nunca tinha visto”, recordou ele. Embora suas irmãs digam que ele sempre demonstrou um dom inato para cozinhar, Simpson acha que foi sua ética de trabalho que o impulsionou na hierarquia. Ele chegava cedo e saia tarde, não apenas se dispunha a aprender a cozinhar, como lavava os pratos e colocava o lixo para fora.

Em 2003,  Simpson foi nomeado chef executivo, supervisionando a cozinha e atendendo a eventos particulares e de gala. Ele ganhou uma reputação de serviço impecável. Ele fazia os ricos da cidade se sentirem especiais, lembrando de quantos cubos de gelo gostavam no uísque e como preferiam sopa a salada.

O restaurante próprio

Um dos maiores chefs do Canadá, Simpson abriu seu próprio restaurante no ano passado, batizado de Sash,  que arrancou elogios da imprensa. O restaurante tem todos os toques de luxo que ele nunca poderia ter imaginado há 45 anos.

A pandemia e a crise

Foto: Kiana Hayeri/New York Times

A chegada da covid-19 fez com todo o mundo sofresse com a crise e para Sash não foi diferente. Não fazia muito tempo que ele abrira o restaurantem então precisou pegar dinheiro emprestado para pagar os poucos funcionários que restaram e teve que se reiventar: passa os dias em seu restaurante vazio preparando comida para delivery e para eventos de família.

Quarenta e tantos anos depois de comer em latas de lixo, Simpson vê alguma ironia em alimentar os ricos do país, mas diz que está focado na sobrevivência e não vai desistir. “Este restaurante nunca vai fechar”, disse ele, acrescentando: “Eu era um menino de rua. Você tem que lutar por isso. ”

Com informações do The New York Times

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