Um grave problema de saúde que tornou-se uma oportunidade: não apenas de negócio mas também de ajudar outras pessoas

A motivação para iniciar o negócio surgiu devido à saúde dela e das duas filhas. Séborah Sarah e as filhas têm problemas bem graves com intolerância e alergia alimentar. Elas não podem consumir nada que contenha leite, milho, soja, carne de porco ou glúten.

Sarah conta que desde criança ela mesma sempre foi alérgica, teve diversos problemas de saúde, mas não tinha um diagnóstico e não sabia o motivo de tantos problemas. Foi quando nasceu a primeira filha, Maria Luísa que hoje tem 11 anos de idade. “Aos 5 meses dela, iniciamos a introdução alimentar dela, amassei banana e coloquei um pouquinho de leite para facilitar a deglutição e ela vomitou horrores, acabou engasgando, asfixiando e foi pro balão de oxigênio”, relatou.

Esse foi o primeiro contato de Sarah, como mãe, com a intolerância alimentar. Mas quando nasceu a segunda filha, o baque foi ainda maior. Sarah até brinca que se Maria Laura, que hoje tem 9 anos, tivesse vindo antes, havia desistido de ter outra filha.

 “Logo no primeiro mês de vida ela apresentou alergias múltiplas, ela nunca teve ganho de peso de um mês para o outro. Entramos com suplementação e não tivemos sucesso nas primeiras tentativas, uma delas, com leite de soja, ela teve diarreia com sangue e aos 5 meses ela estava abaixo da curva de nutrição e aí veio o desespero, pois era mais de um tipo de alergia”, contou Sarah.

Tudo da Maria Laura tinha ser separado, mas tudo mesmo, pois o caso era tão grave que ainda tinha questão da contaminação cruzada, desde a esponja de lavar as louças que ela usava a faca e utensílios que preparava o alimento dela, ao pano de prato que secava as louças. Sarah conta que guardava tudo dela naquelas caixas grandes transparentes e quando viajava era motivo de piada, pois tinha que levar tudo da menina.

Foi a partir daí que Sarah começou a estudar e se aprofundar no assunto alergia e intolerância alimentar. “Nunca fui uma pessoa que fiquei só com que os médicos diziam, eu tinha que entender como funcionava, como reagia no organismo dela para que eu  pudesse ajudá-las da melhor forma possível. E foi aí que comecei a desenvolver receitas que elas pudessem comer que fossem parecida com o que todo mundo comia para não se sentirem excluídas, e que tivesse sabor”.

A família toda colocando a mão na massa para organizar a fábrica, sede em Araguaína.

E não foram só as meninas, durante esse processo a Sarah também ficou muito ruim. No caso dela atacava a respiração, e teve também um quadro grave crônico de intoxicação por conta do glúten, que desenvolveu um quadro grave chamado esplenomegalia que aumentou o baço dela e teve dilatação de uma veia importante e do fígado.

“E os médicos não sabiam o que estava acontecendo, eu comecei a inchar por dentro, e queriam tirar o meu baço, os órgãos internos inchando, a veia dilatando com risco de romper e causar hemorragia e óbito e eles não tinham explicação para aquilo tudo”.

A experiência era traumática para Sarah e toda a família, ela não podia nem pegar a filha caçula no colo. Foi buscar ajuda fora, fez exames, e o diagnóstico apareceu: alergia alimentar. Ela estava em um quadro crônico e se tivesse demorado mais um pouco, iria literalmente inchar até estourar.  Então, além da intolerância, tinha também o processo de alergia alimentar.

E foi aí que Sarah percebeu que a filha caçula apresentava os mesmo sintomas que ela: sono excessivo, cansava fácil, imunidade baixa, ela sempre foi muito ativa e depois começou a querer só dormir, e tinha dificuldade de ganhar peso. “A médica dizia que era por causa da alergia do leite, mas fazia suplementação e aquilo não fazia sentido, e já estava prejudicando o desenvolvimento dela. Concentração, aprendizado, por conta da desnutrição”.

“Então a convenci a médica que poderia ser o mesmo problema que o meu. Como os exames davam negativos, assim como os meus, que só deram positivos os que fiz fora, decidimos testar a exclusão de alguns itens e ver a reação dela. O primeiro foi o trigo. Zeramos o trigo dela e com um mês ela ganhou 1,5kg  coisa que ela não ganhava já tinha um ano. Ou seja, então era o mesmo problema com o glúten que eu, a intolerância, que se não fosse cuidada poderia desenvolver para uma alergia, algo mais sério”.

Com isso Sarah e esposo Maiky Lonard decidiram estudar para entenderem o que era glúten, que para eles era um mistério na época, não sabiam quais alimentos que continham glúten, não sabiam lê os rótulos dos produtos, não sabiam que tanto o glúten quanto o leite podem ser encontrados até em produtos de higiene pessoal, como cosméticos e perfumarias, maquiagem,  e tiveram que aprender tudo.

O surgimento da empresa

O que mais Sarah sentia falta era dos sabores e da textura dos alimentos. E ela queria que as filhas também pudessem consumir alimentos que não as prejudicassem, mas que fossem gostosos, que tivessem o sabor pelo menos aproximado dos alimentos “normais”.

“Sempre comi trigo e leite a vida toda, e fazia falta, pra criança que não teve contato que não conhece o sabor é mais fácil, mas tirar de um adulto que a vida todas consumiu e conhece o sabor, que tem uma memória de paladar e eu tinha de paladar e afetiva muito forte”.

Foto: arquivo da família

 Foi então que ela começou a testar e desenvolver receitas que chegassem mais próximo do sabor do que comia antes. E em 2016 ela começou a produzir os alimentos para vender e criou a Cake Zero. Em julho do ano passado, conseguiriam um espaço físico adequado para a produção dos produtos de acordo com as normas da vigilância sanitária. Apesar dos desafios, graças a fidelidade dos clientes, e por apresentar produtos de qualidade e seguro, como afirma a empresária,  isso fez com que mesmo diante das dificuldades do mercado conseguissem se manter.

O esposo e sócio, Maiky Lonard, conta que a família já possui pontos de vendas em Araguaína (4 pontos), Palmas (1) e atendem também clientes no Maranhão e  no Pará. “Assim como para minha esposa, foi difícil e era um mundo totalmente diferente e desconhecido para nós. Porém vi ela estudar e sempre se incomodou com o fato de ter que excluir a todos do convívio social por conta das alergias alimentares, já que também já tínhamos a Maria Luísa (que sofria com isso). No início foi desafiador, por estarmos entrando num mercado novo, cheio de detalhes e com um público alvo em crescimento. Agora que vejo as mensagens de agradecimento de clientes, por estarmos proporcionando a inclusão do seu filho e ver a alegria de toda a família é gratificante”, expressou o empresário.

arquivo da família

 Para Sarah e Maiky 2019 foi de muita descoberta na área de gestão e formatação da empresa. “2020 queremos colocar em prática mudando muita coisa na parte comercial, repaginando alguns produtos, lançando outros em pontos que ainda não chegaram e deixando os produtos mais próximos dos clientes e também levando para mais lugares”.

 “Então hoje, tudo  o que eu tenho vontade de comer, mesmo que eu não trabalhe pra vendas, a gente faz em casa. Desde um estrogonofe, a uma pizza, a um queijo falso,a bolo, tudo”, garantiu.

Ela afirma que as 90% das  receitas são autorais. Sempre trabalho com meu toque, com aquilo que eu acho que tem o meu gosto, o meu paladar, para o que eu acho que é mais próximo do que era antes. Porque textura e sabor eram coisas que me incomodavam nos produtos sem glutes, deixar praticamente igual de forma que as pessoas comam, sintam que tem algo diferente mas não saibam identificar”afirmou.

Hoje as duas meninas já estão no processo de introdução alimentar dos alergênicos e já conseguem ter contato. “Mas deixamos isso para ocasiões especiais ou quando não tem opção alguma, já eu nem em ocasiões especiais e nem mesmo no dia a dia consumo leite ou glutén”, concluiu a empresária.

O casal de empresários são exemplos de proatividade e empreendedorismo, eles poderiam ter escolhido se tornarem vítimas, mas viu naquela dificuldade, uma porta de oportunidade não apenas para terem uma renda mas para desenvolver algo que pudesse ser útil para inúmeras pessoas que assim como Séborah Sarah e as filhas Maria Luísa e Maria Laura enfrentam problemas como intolerância ou alergia alimentar. Desejamos muito sucesso a toda família!

 

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